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domingo, 5 de setembro de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 12


Acostumei a acordar cedo por causa das duas últimas semanas levantando antes das sete horas da manhã. Assim, neste sábado, acordei antes de seis horas. Aproveitei para atualizar a leitura de jornais da semana que terminava. Resolvi almoçar no Café Cassis e fazer compras no ParkShopping. Aproveitei para comprar entradas para o show do Stomp, grupo americano especializado em percussão com objetos do nosso dia a dia. Logicamente que comprei alguns cds e dvds na Fnac. Não contente com as compras, fui ao CasaPark para passar uma hora na Livraria Cultura, onde comprei livros, mais cds e mais dvds. No início da noite, mais uma peça do festival Cena Contemporânea. Fui para o CCBB assistir Dulce, um trabalho conjunto de atores brasileiros e portugueses. Ingresso a R$ 7,50 (meia entrada - correntista Banco do Brasil). A peça foi encenada no Teatro II, que não ficou lotado. Marcada para 19:30 horas, teve um pequeno atraso para começar. O cenário era uma sala de jantar na casa de um casal português. Depois de comerem, os dois casais, o português e o brasileiro, ficam conversando até chegarem a uma espécie de jogo da verdade, onde as aparências de felicidade de cada casal são jogadas ao chão. Os casais, especialmente o brasileiro, demonstram que a vida a dois vai mal, discutindo a relação naquela mesa de jantar, o que provoca constrangimento no casal português. Como jogo cênico, há repetições de diálogos com as mesmas marcações, como risadas e gestos, como se a vida pudesse voltar de tempos em tempos, mas o que se vê é a impossibilidade de isto acontecer, pois os diálogos são sempre os mesmos. A vida segue. Algumas citações são divertidas, especialmente a brincadeira que os portugueses fazem ao contar piadas sobre portugueses no melhor estilo brasileiro. Os cariocas também não são poupados nas falas dos atores brasileiros. Há um trecho onde os quatro já estão bêbados e começam a gritar uma série de frases iniciadas pela palavra de ordem "abaixo". Hilário quando gritam "Abaixo o preço das passagens da TAP"! Nada mais real. O nome da peça é Dulce, uma referência a uma tia-avó de Isac, o brasileiro. Quando ela tinha 19 anos, se preparando para casar, recebe a notícia de que seu noivo havia morrido em um acidente de carro. Ela ficou surtada, esperando por ele todos os dias de sua vida, até morrer aos 82 anos. Fica a pergunta: será que ela seria feliz no casamento? Se depender da vivência de ambos os casais, a resposta certamente seria não. Gostei muito da peça, que foi muito aplaudida ao final. Do CCBB fui correndo para a Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para mais um espetáculo do festival. Foi o único balé para o qual comprei ingresso (R$ 16,00). Trata-se de Solitário Cowboy (Lonesome Cowboy) da companhia suíça Cie Philippe Saire. Com pouco mais que uma hora, cinco bailarinos dançam em um tablado cheio de uma espécie de piche em pedaços. Quem senta na fila A acaba recebendo pedaços deste piche, pois quando os dançarinos escorregam no tablado, alguns pedaços acabam por sair para fora, sujando o chão aos pés do público ali sentado. Os movimentos são visivelmente inspirados em modalidades esportivas, dando um ar pesado ao balé. Situações do dia a dia do universo masculino estão presentes, como a competição, a força, a vida em grupo, as brigas, a reconciliação, entre outros. Os primeiros movimentos são lentos, quando não percebemos que o piso do tablado será desfeito. Depois, os movimentos começam a ficar mais rápidos e violentos, enaltecendo a virilidade masculina, quando o piso começa a ser desfeito. Fiquei curioso como eles conseguem arrumar o piso depois, mas esta curiosidade é satisfeita no próprio balé, quando alguns bailarinos entram em cena com rodos enormes e uma espécie de tela para arrumar o piso, que volta a ser "compacto" como no início. O melhor do balé é a formação de figuras abstratas, de grafismos, quando os cinco dançarinos fazem seus movimentos bruscos com os pés. Há cenas engraçadas, como quando os cinco tiram suas roupas, incluindo a cueca preta, para ficar apenas de kilt xadrez, aquela saia escocesa masculina. Ao final, diria se tratar muito mais de uma performance do que um balé. Para balé, leveza é essencial, mesmo que apresente movimentos bruscos e rudes. No Brasil, exemplos não faltam desta leveza aliada à fortaleza, tais como Grupo Corpo, Quasar e Cia Deborah Coker. Achei a experiência interessante, mas dou nota apenas seis para o balé.


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